Regina: ousada ou destemida?, de Antonio Carlos Gaio

 “Regina era uma mulher exuberante, extremamente comunicativa, cheia de vida e plena de energia, que nascera absolutamente transparente. Nem que quisesse, saberia esconder seus sentimentos. Enquanto não os externasse de forma completa, não se tranquilizava. Impetuosa e impulsiva, jurava que nenhum homem iria abandoná-la, como o seu pai à sua mãe. Regina não era uma mulher de cruzar os braços e tomou a frente de suas escolhas. Não suportava a solidão, pois não queria acabar seus dias sozinha como sua mãe. Regina não precisava de um leito somente para si. Desde que o homem respeitasse o espaço para a seção de cosméticos e vestuário, tudo o mais deveria ser compartilhado.

Até para conhecer melhor com quem ela estava lidando. Contudo, abominava casar e virar empregada do marido ou ser do lar ou especialista em prendas domésticas. Regina simplesmente não precisava de leme para guiá-la, nem nunca ficou sem rumo na vida. Não queria um homem sem a menor aptidão para a vida em comum e tampouco que a encerrasse numa gaiola. Entretanto, não bastaria o homem se interessar; teria que ficar de quatro por ela. Uma quedinha não serviria; tinha que ser uma baita fixação.

Se os homens não entendem nada da cabeça de mulher, Regina era uma mulher de coragem que os poria no seu devido lugar. Para não ficar à mercê de arrebatamentos pueris, viagens delirantes, fascínio por galãs de meia-tigela, preferiu estabelecer relações que pudesse controlar. E beleza não põe mesa. A utopia de Regina era encontrar um homem que procurasse conhecê-la bem e mapeasse seus piores defeitos, não se perturbando com o achado.

Era uma mulher de sangue quente, gritando para quem quisesse ouvir: “eu quero viver!”. Intensamente. Queimar-se debaixo do sol de meio-dia em pleno verão era visceral para o seu estado de espírito. Variar de roupas era o seu lema. Regina provocava admiração ao se dirigir a quem quer que fosse. Falta de jeito ou timidez não se encaixavam numa personalidade tão efusiva. Uma mulher que não se comunicava por entrelinhas, fazia questão de mostrar o avesso de seu temperamento e não tinha papas na língua. Não deixava para amanhã o que podia dizer hoje. Regina, rainha, queria reinar sobre sua vida. “

Nº de páginas: 180
Lançamento: agosto de 2011
Preço: R$ 30,00

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